Como transformei dados financeiros complexos em decisões intuitivas — redesenhando a lógica de transparência em gestão financeira compartilhada para casais, sócios e famílias.
Casais e sócios que gerenciam finanças juntos raramente discutem por causa de dinheiro — discutem por causa de percepções divergentes sobre o que aconteceu com o dinheiro. A informação existe, mas está fragmentada, ambígua ou apresentada de um jeito que não resolve a pergunta real: "estamos indo bem? E cada um de nós está contribuindo de forma justa?"
Apliquei o framework de Jobs to Be Done para separar o que os usuários diziam que queriam ("ver o saldo") do que realmente precisavam: uma referência compartilhada de realidade financeira — objetiva, sem margem para reinterpretação, e consultável a qualquer momento sem precisar de uma conversa.
A hipótese central que guiou o projeto: a maioria dos conflitos financeiros em relações compartilhadas não decorre de escassez de recursos, mas de assimetria informacional — cada parte opera com dados diferentes sobre a mesma realidade.
Conduzi entrevistas e análise de reviews dos principais apps financeiros (Mobills, Organizze, Wallet) para mapear onde as soluções existentes falhavam sistematicamente.
Saldo total não responde quem contribuiu quanto. Usuários construíam planilhas paralelas — evidência clara de que o app não resolvia a pergunta real.
Regras automáticas de distribuição eram percebidas como caixas-pretas. Usuários desativavam recursos avançados por não entenderem a lógica.
Apps mostravam histórico ou projeções — raramente os dois conectados. A decisão de comprar um imóvel não podia ser simulada contra a realidade presente.
Princípios de design não são slogans. São critérios de decisão — o que uso para julgar se uma solução serve ou não ao problema central.
Cada módulo que projetei responde a uma tensão específica identificada no research. Parti de uma pergunta central e não saí dela: como garantir que duas pessoas sempre operem com a mesma realidade financeira?
Projetei os Gráficos de Progresso Divididos para exibir simultaneamente o progresso total da meta e a contribuição individual de cada parceiro — sem clique adicional. O azul primário sinaliza destaque funcional, não estético: ele existe para eliminar a ambiguidade sobre quem contribuiu o quê.
Testei três variantes de visualização. A versão com donut duplo gerou confusão — usuários interpretavam como duas metas distintas. O modelo barra+percentual individual foi o único que passou em teste de compreensão sem instrução prévia.
O simulador conecta decisões futuras à realidade presente. Sliders de tempo e valor atualizam o gráfico em tempo real — transformando incerteza em plano de ação visual e tangível. Escolhi sliders em vez de inputs manuais deliberadamente: o movimento contínuo cria exploração, não comprometimento.
Considerei limitar simulações a metas já criadas, mas o research mostrou que usuários queriam simular hipóteses antes de formalizar. A flexibilidade aqui reduz o atrito de entrada — o usuário experimenta antes de se comprometer.
Simplifiquei a lógica de distribuição para Se-Então legível: cada regra é um card editável com linguagem natural. A equidade é mantida de forma passiva — o sistema executa sem intervenção, mas cada decisão é auditável e revisável a qualquer momento.
Deliberadamente descartei um motor de regras baseado em condições compostas (AND/OR). Seria mais poderoso — e inacessível para 80% dos usuários-alvo. Optei por expressividade reduzida em favor de confiança elevada.
A área de Conta Compartilhada centraliza permissões por parceiro, status de contribuição e configurações de segurança — tratada como ponto de controle, não de configuração técnica. O layout limpo e segmentado sinaliza profissionalismo, reduzindo ansiedade em decisões de permissão.
Testei separar "segurança" e "parceiro" em seções distintas. Usuários percebiam como duplicidade. A unificação sob "Conta Compartilhada" reflete o modelo mental real: parceiro e permissão são inseparáveis no contexto de finanças conjuntas.
O Aequus transforma dados complexos em insights acionáveis via arquitetura em camadas: visão imediata no nível zero, profundidade disponível sob demanda. Cada tela responde à pergunta mais urgente sem exigir que o usuário entenda o sistema todo antes de extrair valor.
Fui tentada várias vezes a adicionar mais informação na home. Cada adição foi testada contra a pergunta: "isso responde algo que o usuário não conseguiria descobrir navegando?" Se não, fora. Densidade de informação não é sofisticação — é ruído.
Os dados abaixo combinam resultados diretos de testes de usabilidade com projeções baseadas em benchmarks de mercado — cada métrica está identificada pela sua origem.
O que aprendi nesse projeto foi tão importante quanto o que entreguei. Abaixo, o que funcionou bem e o que eu faria diferente com o que sei hoje.