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Cliente real Service Design · ITSM

Jornada do usuário em ITSM

ServiceNow como plataforma de transformação da experiência de serviço — governança e boas práticas convertendo resistência em adoção estruturada e duradoura.

ServiceNowITILGestão de MudançaEXGovernançaAutomação

Setor

Corporativo /
Produto interno

Plataforma

ServiceNow ITSM
Framework ITIL

Atuação

Técnica, estratégica
e de gestão

Resultado-chave

NPS interno
+20% de satisfação

Contexto

Uma plataforma robusta. Subutilizada.

O ServiceNow estava implementado. Os processos existiam. O catálogo de serviços estava estruturado. As diretrizes de governança seguiam as boas práticas do framework de gestão de serviços de TI. E ainda assim, os usuários não operavam o sistema como deveriam — ou simplesmente não o utilizavam.

O problema não era a ferramenta. Era a distância entre o usuário e o serviço: templates que não dialogavam com os problemas reais, uma taxonomia desconectada do vocabulário cotidiano de quem precisava abrir um chamado, e a percepção difusa de que contornar o portal era mais eficiente do que utilizá-lo corretamente.

Em um ambiente corporativo de grande porte, essa distância tem custo mensurável: chamados mal classificados, redesignações em cadeia, reaberturas recorrentes, tempos de atendimento dilatados e equipes de suporte sobrecarregadas com triagem que deveria ser resolvida na origem.

“O usuário não resistia ao sistema. Resistia à fricção que o sistema impunha — e ao desconhecimento do custo que essa resistência gerava para todos.”

O projeto nasceu da necessidade de inverter essa equação — não apenas tecnicamente, mas pela lente da experiência e da governança. Tornar o ServiceNow um portal que o usuário escolheria usar, compreendendo por que isso importava para si e para a organização.

Diagnóstico

Onde estava a fricção

O ponto de partida foi mapear os pontos de atrito reais na jornada — não assumindo o problema a priori, mas identificando sistematicamente onde o comportamento desviava do fluxo esperado e quais as consequências operacionais desse desvio.

Ponto de atrito 01

Chamados abertos nos templates incorretos, gerando redesignações sucessivas e prolongamento do tempo de resolução, com impacto direto nos SLAs.

Ponto de atrito 02

Baixa aderência ao portal: usuários preferiam contato direto por e-mail ou canais informais, contornando o fluxo estruturado e comprometendo rastreabilidade e governança.

Ponto de atrito 03

Reaberturas recorrentes — sintoma de atendimento prestado sem resolução efetiva, frequentemente causado por triagem imprecisa desde a abertura.

Ponto de atrito 04

Ausência de correspondência entre o vocabulário natural do usuário e a taxonomia do sistema. O usuário não sabia nomear seu problema nos termos do portal.

Ponto de atrito 05

Templates com campos excessivos ou desalinhados ao processo real, aumentando a fricção na abertura e contribuindo para abandono ou preenchimento inadequado.

Ponto de atrito 06

Desconhecimento da lógica do processo ITSM: como os chamados são roteados, o impacto da classificação correta e o papel de cada etapa na resolução.

O diagnóstico evidenciou que a fricção não estava concentrada em um único ponto, mas distribuída ao longo de toda a experiência de abertura e acompanhamento — da intenção inicial do usuário até a resolução efetiva e o fechamento com qualidade.

Abordagem

Adoção não se impõe. Se estrutura.

A hipótese central foi que adoção sustentada exige intervenção simultânea em três camadas. Atuar em apenas uma produziria resultados parciais e não sustentáveis.

Camada 01

Sistema

Estrutura, templates e automação. Tornar o caminho correto genuinamente mais fácil de percorrer.

Camada 02

Usuário

Compreensão, comportamento e autonomia. Clareza sobre por que o novo caminho é melhor que o atalho.

Camada 03

Processo

Fluxo, governança e boas práticas de gestão de serviços, alinhadas aos requisitos da organização.

“Nenhuma mudança de comportamento se sustenta sem clareza de por que o novo caminho é melhor do que o atalho — e sem que o sistema torne esse caminho genuinamente mais fácil de percorrer.”

Iniciativas

Os pilares de execução

01

Análise comportamental e mapeamento semântico

A investigação revelou um padrão consistente: ao acessar o portal, o usuário queria digitar o problema com suas próprias palavras e encontrar o template a partir daí, sem conhecer a taxonomia do sistema. Esse insight fundamentou o mapeamento semântico — o levantamento das expressões e variações linguísticas usadas para descrever cada categoria, vinculadas diretamente aos templates correspondentes. O resultado foi uma camada de facilitação que eliminou a dependência de conhecimento prévio da estrutura do catálogo.

Comportamento do UsuárioEstrutura do Sistema
02

Reestruturação e racionalização dos templates

Auditoria completa do catálogo, revisando cada template quanto à aderência ao processo real e à qualidade do preenchimento. Campos redundantes, perguntas fora do escopo e etapas que criavam atrito sem agregar valor foram eliminados. A racionalização reduziu o tempo de abertura, diminuiu erros de classificação e aumentou a completude das informações entregues às equipes.

Catálogo de ServiçosGovernança ITIL
03

Automação de processos e integração de plataformas

Mapeamento e automação de fluxos de alto volume — incidentes e requisições de diferentes complexidades — para reduzir o tempo de resolução e garantir consistência. Parte essencial foi mapear plataformas externas a integrar ao ServiceNow: a integração com o SailPoint IdentityIQ (IIQ), por exemplo, automatizou chamados de identidade e acesso, eliminando etapas manuais. A priorização seguiu volume, criticidade e impacto no SLA.

AutomaçãoIntegração de SistemasEficiência Operacional
04

Programa de educação, comunicação e gestão de mudança

Programa estruturado de comunicação interna e gestão de mudança — campanhas direcionadas, comunicações por e-mail, materiais de apoio e guias de uso. A estratégia foi além do “como usar”: explicou a lógica do processo ITSM, o impacto da classificação correta no tempo de atendimento e as consequências de contornar o fluxo. Tornar a lógica visível para o usuário final foi condição para que a mudança de comportamento se sustentasse.

Gestão de MudançaComunicação Interna
05

Capacitação de fornecedores

Treinamento das equipes fornecedoras responsáveis pelo atendimento, garantindo que as melhorias na jornada de abertura tivessem correspondência na qualidade e consistência do atendimento prestado. A adoção só se consolida quando as duas pontas da jornada operam com o mesmo entendimento.

CapacitaçãoGovernança de Fornecedores
06

Expansão da base de conhecimento

Estruturação da base de conhecimento como infraestrutura permanente da jornada — não recurso periférico, mas camada de suporte disponível em qualquer fase. Artigos, documentação técnica por categoria e materiais de autoatendimento tornaram o usuário progressivamente mais autônomo, reduzindo a dependência de contato direto com o suporte.

Knowledge ManagementAutoatendimento

Sustentação

Não um projeto. Um processo.

Um dos riscos mais comuns em iniciativas de adoção é tratar a mudança como evento: algo que acontece, produz resultados e é encerrado. A lógica aqui foi estruturalmente diferente.

Ciclo de melhoria contínua

Desde as primeiras mudanças, estabeleceu-se um ciclo sistemático de monitoramento e ajuste — acompanhando métricas de uso, identificando novos pontos de atrito e revisando templates, automações e materiais conforme o comportamento dos usuários evoluía. Esse ciclo segue ativo, incorporado à rotina de gestão do portal.

A sustentação transforma resultado pontual em maturidade operacional. O que começou como intervenção tornou-se prática institucionalizada — e é essa distinção que caracteriza uma transformação real de processo.

Impacto

O que mudou

+20%

de satisfação no NPS interno, medindo a percepção dos usuários sobre a qualidade do suporte e a experiência com o portal.

Aumento mensurável na aderência ao ServiceNow como canal oficial de abertura e acompanhamento de chamados.

Redução do tempo médio de atendimento, com queda no volume de redesignações e nas reaberturas por resolução incompleta.

Redução de chamados mal classificados na abertura, com melhora na precisão do roteamento e na completude das informações.

Além dos indicadores quantitativos, a transformação mais relevante foi estrutural: o portal deixou de ser percebido como exigência burocrática e passou a ser reconhecido como o caminho mais eficiente para resolver um problema — que é, em essência, o objetivo de qualquer iniciativa de adoção bem-sucedida.

Equipes de suporte com triagem mais precisa, usuários com maior autonomia operacional e um processo de atendimento com mais previsibilidade e rastreabilidade do início ao fechamento.

Aprendizado

O que o projeto consolidou

  • i.Adoção é um problema de design e governança, não apenas de treinamento. Capacitar o usuário sem simplificar o sistema e estruturar o processo produz esforço sem resultado duradouro — as três dimensões precisam ser integradas.
  • ii.A linguagem do usuário é dado de projeto, não detalhe de implementação. Um template tecnicamente correto com terminologia desconhecida ainda produz fricção e erro. O mapeamento comportamental partiu de como o usuário pensa, não de como o sistema se organiza.
  • iii.Transformação de processo exige ação nas duas pontas da jornada. Melhorar a experiência de quem abre chamados sem capacitar quem os recebe é intervir em metade do sistema.
  • iv.Automação sem mapeamento de integrações é automação incompleta. Identificar plataformas externas a conectar (como o SailPoint IIQ) foi condição para gerar impacto real, não apenas deslocar trabalho manual.
  • v.Resultado sustentável exige infraestrutura de escuta e revisão contínua. O ciclo de monitoramento garantiu que as melhorias permanecessem relevantes à medida que o ambiente evoluía.

Síntese

Adoção sustentada não nasce de um sistema imposto, mas de um sistema que o usuário escolhe usar porque entende, e porque o caminho certo é o mais fácil.

Service Design em ITSM é, no fim, o trabalho de alinhar sistema, usuário e processo até que a governança e a experiência apontem para o mesmo lugar.