Portfólio
Projeto conceitual UX/UI · Mobile · Streaming

WATCHER

Um app de streaming que não compete com catálogo — compete com comportamento. Redesenhar a descoberta para quando o usuário não sabe o que quer assistir.

MobileUIDesign SystemPesquisaPrototipagem

Tipo

Projeto conceitual
Estudo de UX/UI

Duração

8 semanas
(estudo dedicado)

Métodos

12 entrevistas,
wireframe, protótipo

Validação

Teste de usabilidade
n = 6 participantes

Contexto e problema

O problema real

O mercado de streaming cresceu 74% em oferta de plataformas nos últimos cinco anos — mas a experiência de usuário estagnou no modelo de 2008: grade de thumbnails, barra de busca, categorias rígidas.

O problema não é falta de conteúdo. É o custo cognitivo de escolher. Usuários relatam consistentemente uma sensação específica:

“Tenho 30 minutos pra assistir algo. Fiquei 28 scrollando e fechei o app.”

— Entrevistado #04, 27 anos, usuário de 3+ plataformas simultâneas

A hipótese central: a interface de streaming precisa responder a estado emocional e contexto temporal, não apenas a preferências históricas.

74%

dos usuários scrollam sem converter

↗ Nielsen, 2023

18min

tempo médio perdido em descoberta

↗ Entrevistas conduzidas

3.2

plataformas simultâneas por usuário

↗ Statista, 2023

61%

abandonam sem assistir nada

↗ Deloitte Media Report

Como poderíamos…

Reduzir o custo cognitivo de escolha sem eliminar a sensação de controle do usuário?

Research

Hipóteses testadas

Antes das entrevistas, documentei três hipóteses explícitas. Isso me forçou a buscar evidências contrárias — não apenas confirmatórias.

Hipótese 01 · Confirmada

Excesso de conteúdo causa paralisia

Mais filtros não ajudam. Interfaces com muitos filtros aumentam o tempo de decisão em 40%. A solução está em opinar, não em expandir opções.

Hipótese 02 · Refutada

Usuários querem recomendação automática

Supus que algoritmos invisíveis resolveriam o problema. Mas 68% dos entrevistados relataram desconfiança em recomendações “automáticas demais”.

Hipótese 03 · Parcialmente confirmada

O contexto importa mais que o histórico

“O que assisto numa sexta à noite é completamente diferente do que quero numa segunda de manhã.” — Entrevistado #09

Principais insights das entrevistas

12 entrevistas em profundidade, 45–60 min cada. Perfis: 22–38 anos, usuários ativos de 2+ plataformas.

INS 01

Tempo disponível muda o critério de escolha

Com menos de 40 minutos, usuários preferem episódios curtos — mas a maioria das plataformas não filtra por duração de forma proeminente.

INS 02

A busca é usada como último recurso

Apenas 22% iniciam a sessão pela busca. A maioria prefere ser “guiada” — mas rejeita a sensação de falta de controle.

INS 03

Thumbnails vendem o conteúdo errado

A maioria não consegue inferir o tom emocional de um conteúdo pela thumbnail. “Não sei se é pesado ou leve só pela capa.”

INS 04

Listas pessoais criam inércia

Listas salvas acumulam conteúdos que “pareciam interessantes antes” e viram uma segunda fonte de paralisia. 7 de 12 não usam mais as próprias listas.

Processo de design

Decisões justificadas

Cada decisão de interface foi documentada com a pergunta: “por que essa escolha, e o que descartamos?”

Fase 01

Desk Research

Análise competitiva de 4 plataformas. Mapeamento de gaps.

Fase 02

Entrevistas

12 entrevistas. Codificação por afinidade. 4 temas.

Fase 03

Wireframes

3 iterações. A v1 descartada após teste com 5 usuários.

Fase 04

Protótipo

Alta fidelidade. 6 participantes. 2 rodadas de refino.

Fase 05

Handoff

Tokens, componentes, estados e edge cases documentados.

Wireframes — iteração documentada

A fase de wireframe não é “rascunho”. É onde as hipóteses de arquitetura de informação são testadas antes de qualquer investimento visual.

Wireframe v1 → v2 · baixa fidelidade

O que a v1 revelou: a estrutura de “localizador de streaming” como fluxo de formulário gerava abandono. A v2 substituiu o formulário por uma conversa de três escolhas.

Decisões de interface

A documentação de decisões transforma um portfólio num registro de raciocínio — não num álbum de telas bonitas.

Decisão

Onboarding conversacional, não formulário

A tela “Olá! Tudo bom?” usa linguagem de conversa e apresenta 3 opções de intenção — não dezenas de filtros.

Alternativa descartada

Formulário com campos de gênero, preço e características — replicava a paralisia que tentávamos resolver.

Decisão

Tom emocional acima da thumbnail

Cada conteúdo carrega rótulos de mood e duração visíveis, respondendo ao insight de que a capa não comunica o tom.

Protótipo de alta fidelidade — fluxos principais

Quatro telas cobrem o fluxo crítico: entrada contextual → descoberta → detalhe → perfil.

Onboarding contextual

01 · Entrada

Home — descoberta

02 · Descoberta

Detalhe do conteúdo

03 · Detalhe

Perfil do usuário

04 · Perfil

Sistema de design

Design system

Não apenas um guia de estilo — um sistema com tokens documentados, decisões de acessibilidade e critérios de uso de componentes.

Paleta — decisão fundamentada

Preto profundo reduz fadiga ocular no contexto principal de uso (ambiente escuro). Amarelo #F5D407 atinge contraste AA em fundos escuros sem perder vivacidade.

#0A0A0A · BG
#161616
#F5D407
Text
Amarelo / Preto8.2:1 · WCAG AA
Branco / Preto15.1:1 · WCAG AAA

Tipografia — sistema editorial

WATCHERBebas Neue · 32px
Display / Marca
Texto de interfaceDM Sans · 17px
UI / Corpo
token.size.mdDM Mono · 13px
Labels / Meta

Espaçamento

Sistema de 8px como unidade base; todos os espaçamentos são múltiplos de 4px — garantindo consistência no handoff.

Resultados e aprendizados

Impacto medido

Resultados do teste de usabilidade com 6 participantes (n=6), comparados ao fluxo de referência das plataformas atuais. Como projeto conceitual, são resultados do protótipo — não de produção.

−62%

tempo até escolha

Redução no tempo de decisão

Participantes levaram em média 6,8 min para escolher (vs. 18 min nas plataformas atuais). O onboarding conversacional foi o principal fator — eliminando a etapa de “o que eu quero?” antes da descoberta.

83

SUS Score / 100

System Usability Scale

Pontuação de 83/100 no SUS após teste de tarefa livre (benchmark de referência: ~70 para grandes plataformas). Acima de 80 — classificado como “Excelente” na escala Bangor.

5/6

retornariam ao fluxo

Intenção declarada de uso

5 de 6 disseram que prefeririam usar este fluxo no seu streaming atual. O único “não” apontou ausência de integração com conta existente — limitação de escopo, não de design.

O que eu faria diferente

Senioridade inclui honestidade sobre limitações e iterações não realizadas.

01

Testar antes da alta fidelidade

Construí wireframes de alta fidelidade cedo demais. Testes com papel teriam economizado 2 semanas de refinamento.

02

Documentar hipóteses antes das entrevistas

Entrei nas primeiras entrevistas sem hipóteses explícitas — análise mais lenta e com maior viés de confirmação.

03

Acessibilidade no início, não no fim

WCAG foi verificado no final. No próximo projeto, contraste e motion entram como critério desde o guia de estilo.

Aprendizado

Quando a interface responde ao estado do usuário — e não só ao catálogo — a descoberta deixa de ser uma tarefa e volta a ser o prazer que deveria ser.

O Watcher é um estudo conceitual, mas o método é real: hipótese explícita, evidência contrária, decisão documentada.