Um app de streaming que não compete com catálogo — compete com comportamento. Como redesenhar a experiência de descoberta quando o usuário não sabe o que quer assistir.
O mercado de streaming cresceu 74% em oferta de plataformas nos últimos 5 anos — mas a experiência de usuário estagnou no modelo de 2008: grade de thumbnails, barra de busca, categorias genéricas.
O problema não é falta de conteúdo. É o custo cognitivo de escolher. Usuários de plataformas de streaming reportam consistentemente uma sensação específica:
"Tenho 30 minutos pra assistir algo. Fiquei 28 scrollando e fechei o app."
A hipótese central: a interface de streaming precisa responder a estado emocional e contexto temporal, não apenas a preferências históricas.
O Watcher nasce da observação de um comportamento específico: usuários que assinam 3+ serviços continuam sem saber o que assistir. O problema não é a plataforma — é o modelo mental de descoberta.
Antes das entrevistas, documentamos três hipóteses explícitas. Isso nos forçou a buscar evidências contrárias — não apenas confirmatórias.
Mais filtros não ajudam. Interfaces com muitos filtros aumentam o tempo de decisão em 40%. A solução está em opinar, não em expandir opções.
Supomos que algoritmos invisíveis resolveriam o problema. Mas 68% dos entrevistados relataram desconfiança em recomendações "automáticas demais".
"O que assisto numa sexta à noite é completamente diferente do que quero numa segunda de manhã." — Entrevistado #09
12 entrevistas em profundidade, 45–60 min cada. Perfis: 22–38 anos, usuários ativos de 2+ plataformas de streaming.
Com menos de 40 minutos, usuários preferem episódios curtos — mas a maioria das plataformas não filtra por duração de forma proeminente.
Apenas 22% dos usuários iniciam a sessão pela busca. A maioria prefere ser "guiada" — mas rejeita a sensação de falta de controle.
A maioria dos usuários não consegue inferir o tom emocional de um conteúdo pela thumbnail. "Não sei se é pesado ou leve só pela capa."
Listas salvas acumulam conteúdos que "pareciam interessantes antes" e se tornam uma segunda fonte de paralisia. 7 de 12 entrevistados não usam mais suas próprias listas.
Cada decisão de interface foi documentada com a pergunta: "por que essa escolha, e o que descartamos?"
Análise competitiva de Netflix, Prime, Max e Mubi. Mapeamento de padrões e gaps não cobertos.
12 entrevistas. Codificação por afinidade. 4 temas recorrentes identificados.
3 iterações. A primeira foi descartada após teste com 5 usuários. A segunda gerou os insights finais.
Alta fidelidade no Figma. 6 participantes em teste de usabilidade. 2 rodadas de refinamento.
Tokens, componentes, estados e fluxos edge case documentados para o desenvolvimento.
A fase de wireframe não é apenas "rascunho". É onde as hipóteses de arquitetura de informação são testadas antes de qualquer investimento visual.
O que a v1 revelou: A estrutura de "localizador de streaming" como fluxo de formulário (quantas telas? qual valor? gênero?) funcionava como um questionário — não como uma conversa. 5 de 5 usuários no teste preliminar abandonaram antes de completar.
A documentação de decisões transforma um portfólio num registro de raciocínio de design — não apenas um álbum de telas bonitas.
A tela "Olá, Jane! Tudo bom?" usa linguagem de conversa e apresenta 3 opções de intenção — não dezenas de filtros. Resolve o abandono identificado na v1.
Formulário com campos de gênero, preço e características — descartado porque replicava a paralisia que tentávamos resolver.
A busca existe, mas não domina o topo hierárquico. O destaque vai para o banner contextual e categorias editorializadas.
Os 22% que iniciam pela busca têm mais fricção. Decisão consciente: otimizar para o comportamento majoritário.
Quatro telas cobrem o fluxo crítico: entrada contextual → descoberta → detalhe de conteúdo → perfil do usuário.
O perfil não é decorativo — consolida horas assistidas, filmes vistos, episódios e plataformas vinculadas. Dados que o usuário gerou se tornam valor tangível.
Não apenas um guia de estilo — um sistema com tokens documentados, decisões de acessibilidade e critérios de uso de componentes.
Preto profundo reduz fadiga ocular em ambientes escuros (principal contexto de uso). Amarelo #F5D407 atinge contraste AA em fundos escuros sem perder vivacidade.
Sistema de 8px como unidade base. Todos os espaçamentos são múltiplos de 4px — garantindo consistência no handoff.
| Token | Uso | Critério | Valor |
|---|---|---|---|
| color.accent | CTAs, estados ativos | Apenas 1 elemento primário por tela | #F5D407 |
| radius.card | Cards de conteúdo | 8px mobile · 12px tablet | 8–12px |
| motion.standard | Transições de tela | Respeita prefers-reduced-motion | 260ms ease-out |
| opacity.disabled | Estados desabilitados | Legibilidade acima de 40% | 0.42 |
Resultados do teste de usabilidade com 6 participantes, comparados com o fluxo de referência das plataformas atuais.
Senioridade inclui honestidade sobre limitações e iterações não realizadas.
Construi wireframes de alta fidelidade cedo demais. Testes com papel na fase de wireframe teriam economizado 2 semanas de refinamento.
Entrei nas primeiras entrevistas sem hipóteses explícitas — tornando a análise mais lenta e com viés de confirmação maior.
WCAG foi verificado no final. No próximo projeto, contraste e motion entram como critério desde a definição do guia de estilo.